TST declara culpa recíproca de sindicatos patronal e de empregados por deflagração de nova greve
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do
Tribunal Superior do Trabalho entendeu que houve culpa recíproca do
Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (Selur) e
do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Asseio e Conservação de
Cubatão, Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga
(Sindilimpeza) pela segunda greve deflagrada pela categoria em 2014.
Para a SDC, as empresas representadas pelo Selur agiram mal ao não
cumprir de imediato a sentença que determinou reajuste salarial, e o
Sindilimpeza ao deflagrar nova greve quando já tinha a seu favor
sentença que solucionara conflito de greve anterior.
A primeira greve foi declarada não abusiva pelo Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região (SP), que fixou reajuste salarial de 12,5%. As
empresas, porém, reajustaram em apenas 10%, alegando que o índice era
objeto de recurso (embargos declaratórios), e descontaram os dias de
paralisação, afirmando que a folha de pagamento foi preparada antes da
publicação do acórdão.
Os trabalhadores então promoveram uma segunda paralisação, que também
foi julgada não abusiva. Segundo o TRT, as empresas desrespeitaram sua
decisão, e os descontos foram uma forma de punição aos grevistas e ao
sindicato, em violação ao artigo 7º da Lei de Greve (Lei 7.783/89). Além
da não abusividade, o Regional determinou o pagamento dos dias parados e
concedeu estabilidade de 90 dias aos trabalhadores.
TST
Em recurso à SDC, o sindicato patronal sustentou que se tratava da
mesma greve, e pediu a declaração de sua abusividade e o desconto dos
dias parados. Segundo o Selur, a segunda paralisação se deu apenas 23
dias depois do término da primeira, e, entre a publicação do acórdão e a
nova paralisação, as empresas já regularizavam o pagamento dos dias
parados e das diferenças salariais.
Com base no parecer do Ministério Público do Trabalho, a relatora,
ministra Maria de Assis Calsing, entendeu que a continuidade da
paralisação não se justificava, uma vez que, apesar da resistência a
cumprir de imediato a decisão, as empresas acabaram observando o acórdão
do TRT. Ainda assim, a ministra entendeu que as duas partes tiveram
culpa na paralisação – as empresas por basearem o descumprimento na
oposição de embargos declaratórios, que não têm efeito suspensivo, e a
categoria profissional por deflagrar abruptamente uma nova greve quando
já havia decisão judicial passível de ação de cumprimento.
Embora reconhecendo que a segunda paralisação teve motivação distinta
da realizada antes do julgamento da causa, a ministra proveu
parcialmente o recurso do sindicato patronal, determinando os descontos
dos dias de paralisação e indeferindo a estabilidade provisória. “Ambos
os lados agiram em desconformidade com o direto”, afirmou a relatora,
destacando que as atividades envolvidas são indispensáveis à população,
“o que torna imprudente a solução do conflito na forma em que conduzida
pelas partes”.
A decisão foi por maioria, vencidos os ministros Mauricio Godinho Delgado e Kátia Magalhães Arruda.
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