Fulano não tem eira nem beira, ou seja: não tem onde cair morto.
A expressão veio de Portugal, de navio. A palavra eira vem do
latim"área", significando um espaço de terra batida, lajeada ou
cimentada, próximo às casas, nas aldeias portuguesas, onde se
malhavam,trilhavam, limpavam e secavam cereais. Depois da colheita, os
cereais ficavam ao ar livre e ao sol, a fim de serem preparados para
a alimentação ou para serem armazenados.
Quem possuísse uma eira era proprietário e produtor, com terras, casa e
bens. Quer dizer que tinha riqueza, poder e status social, explica
o professor de Língua Portuguesa Ari Riboldi.
Já a beira é a aba da casa, aquela extensão do telhado que serve
para proteger da chuva. "Quem não tem eira nem beira não é dono de
terra nem de casa. Nos tempos atuais, é um sem-teto, um sem-terra.
Diz-se de quem vive miseravelmente, na extrema pobreza", esclarece
Riboldi.
O professor conta que a expressão ganhou popularidade devido a sua rima
e mostra a condição de uma legião cada vez maior de famintos
e miseráveis, "na margem das cidades e das estradas, à espera de
dias melhores".

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