Tribunal do Júri condena integrante da facção "Os Manos"
No dia 30/5, o Tribunal do Júri de Canoas julgou Lauri Sávio Cunha, conhecido como "Mano", sob acusação de mandar matar Maurício Moraes Menezes, 18 anos. O motivo seria a desconfiança de que a vítima estaria desviando dinheiro e drogas dos pontos de tráficos que ambos comandavam. Lauri respondeu como mandante de dois crimes (roubo e homicídio). A denúncia destacou a forma de agir e a frieza do réu para estabelecer como deveria ser praticada a execução de Maurício, incluindo o roubo para tornar exitoso o homicídio.
Em conformidade com o Conselho de Sentença, Lauri foi condenado à pena de 20 anos de reclusão para o delito de homicídio qualificado e 12 anos e 6 meses de reclusão para o crime de roubo majorado. No total, são 32 anos e seis meses de reclusão a serem cumpridos em regime fechado.
O réu encontra-se preso no presídio federal de Rondônia.
Na data de hoje (1º/6), Lauri também foi condenado à pena de 19 anos de reclusão, em regime fechado. Neste caso, a vítima Moisés Fagundes Borges prestou depoimento em um processo criminal contra Lauri. O júri ocorreu na Comarca de Canoas.
Júri
A sentença condenatória do dia 30/5 registra que os executores possuíam ordens expressas do réu Lauri Sávio Cunha, incluindo: composição do "time" (executores), o tipo de automóvel que seria usado para a cena do crime, intitulado de "nave com banco de couro", o local onde seria abandonado o carro e também "dispensado" o corpo. Foram ressaltadas a crueldade e astúcia dos mandantes e executores dos crimes - todos sob o comando de Lauri - que monitorava através de um celular o momento exato do crime, exigindo descrições do que a vítima havia falado antes de morrer. Foram considerados, ainda, os registros criminais, com condenações transitadas em julgado do réu.
Desarticulação
Interceptações telefônicas comprovaram que Lauri pertence a uma organização criminosa, como indivíduo influente e importante na escala hierárquica da quadrilha. Em conjunto com seus comparsas, eram cometidos homicídios, roubos e tráfico de drogas, sempre sob o seu comando, mesmo de dentro de estabelecimento prisional. Na interceptação telefônica monitorada, foi deflagrada a ordem para execução da vítima, contando com a colaboração de adolescentes infratores para a efetivação do homicídio, como também, a ordem para o roubo do veículo, de dentro de um supermercado. A audácia evidenciou o risco de colocar terceiros em perigo. Foi nesse mesmo automóvel que a vítima foi levada para o local combinado, sendo atingida por vários disparos. Todos os executores já foram julgados e condenados com decisões que transitaram em julgado.
Operação Cova Rasa
Lauri é apontado como aliado à facção Os Manos e um dos principais líderes da quadrilha responsável por diversos crimes praticados entre os anos de 2008 e 2009. Em 2009, a quadrilha foi desarticulada através da Operação Cova Rasa. A operação foi assim batizada com base nas características das cenas dos crimes em que as vítimas - em sua maioria, traficantes ou usuários de drogas - eram abandonadas em barrancos ou valas, sem qualquer intuito de escondê-las.
EXPEDIENTETexto: Fabiana Fernandes
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br
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