sexta-feira, dezembro 30, 2016

Comdema de Cachoeirinha/RS quer saber onde foi parar o dinheiro do Meio Ambiente

Comdema de Cachoeirinha/RS quer saber onde foi parar o dinheiro do Meio Ambiente


       O Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável e do Meio Ambiente (Comdema) quer saber onde foram parar os recursos da conta do Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Fumdema), alimentada com taxas de licenciamentos ambientais e multas entre outras receitas, como de convênios com Estado ou União. Na reunião realizada na noite desta quarta-feira, no auditório da secretaria de Educação, os conselheiros aprovaram o envio de um ofício ao prefeito Vicente Pires fazendo esse questionamento. Desde janeiro, a conta do Fundo está sempre sem saldo e o Plano de Aplicação de Recursos para 2016, elaborado pelo ex-secretário do Meio Ambiente, Fernando Medeiros, parado por falta de verba. A estimativa para o ano era de serem aplicados R$ 324.430,66.
       Um outro problema identificado pelo conselho diz respeito a prestação de contas de Medeiros relativa ao segundo semestre do ano passado. Há um déficit de R$ 88 mil. Na reunião desta quarta foi nomeado um relator para elaborar um parecer, que poderá ser pela reprovação das contas ou aprovação com ressalta de regularização. Não há nenhuma suspeita de que alguém tenha desviado verba. O problema poderia estar no fato de os pagamentos feitos por contribuintes irem parar em outras contas da Prefeitura sem haver o repasse ao Fumdema. Já chegou a ocorrer de a Prefeitura sacar R$ 300 mil do Fundo fazendo a devolução 5 meses depois sem a atualização dos valores, ou seja, ela eliminou os rendimentos da aplicação financeira que faz parte do escopo de receita prevista em lei.
        Segundo o presidente do Comdema, André Madeira, que é o representante da subseção da OAB, o órgão não sabe o que entra de recursos através de licenciamentos e multas e muito menos quanto a secretaria de Meio Ambiente ou a prefeitura tem de dívidas relativas a projetos autorizados pelos conselheiros. “Os recursos do Fumdema só podem ser aplicados com autorização do Comdema. Até o final do ano passado, estava tudo correto. Agora não temos saldo e nem sabemos o que deveria entrar. Temos apenas a estimativa prevista no Plano de Aplicação de Recursos”, afirma.
Samuvet e castrações
       Uma das dúvidas sobre pendências ou não recai sobre o polêmico projeto da Samuvet. Ele foi criado com recursos do Fumdema e aprovado pelo Comdema. Entra ainda na conta de dúvidas se há pendências também com relação ao projeto de castrações. Ambos estão suspensos. O veterinário Rogério Staniecki interrompeu os atendimentos do Samuvet em março alegando não ter como manter o serviço sem receber. Já a presidente da Ong Onda, Karen Scheid, também disse que a a falta de recursos impedem a continuidade do projeto de castrações gratuitas. De outro projeto, este não vinculado ao Fumdema, a prefeitura já deve quase R$ 100 mil para a Ong. Integrantes do conselho chegaram a se reunir nos últimos dias com o vice-prefeito Gilso Nunes. Apontaram os problemas e Gilso ficou de consultar o secretário da Fazenda, Sérgio Selau. Gilso deu como retorno a informação de Selau de que não havia nada errado. E ficou nisso.

André Madeira, presidente do Comdema – Foto: Roque Lopes/oreporter.net
Caso o Comdema não consiga receber do prefeito uma explicação para o não repasse de recursos ao Fumdema conforme a receita estimada e não tenha acesso a receitas oriundas dos licenciamentos e multas, o caso deverá ser analisado pelos conselheiros para ser decidida qual medida será adotada.

Lei desrespeitada?

      O Fumdema foi criado pela lei 2.241 em 10 de fevereiro de 2004 no governo do então prefeito José Stédile. O parágrafo único do artigo segundo diz que “É vedada a aplicação de recursos financeiros do FUMDEMA em despesa com pessoal da Administração Direta, bem como com encargos financeiros estranhos à sua finalidade.” Todo o recurso relativo a taxas e multas pagas por contribuintes, conforme o parágrafo primeiro, inciso 10 do artigo terceiro, deveriam ser depositados em conta bancária própria do Fundo. A lei só não estaria sendo desrespeitada pela prefeitura se ela estiver repassando para o Fundo toda a receita oriunda de licenciamentos e multas.

O Plano de Aplicação de Recursos para 2016
  1. Formação dos Servidores da Secretaria do Meio Ambiente – cursos e seminário: R$ 14.826.48
  2. Preservação e Conservação do Meio Ambiente (Unidades) – Manutenção do Paque Tancredo Neves e Horto Florestal Chico Mendes: R$ 46.967,82
  3. Manutenção das Atividades de Educação Ambiental: R$ 32.806,43
  4. Manutenção dos Serviços de Licenciamento Ambiental: R$ 65.460,37
  5. Manutenção das Atividades de Fiscalização Ambiental: R$ 19.011,64
  6. Incentivo a Projetos de Educação Ambiental: R$ 13.788,30
  7. Manutenção do Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente: R$ 6.942,82
  8. Gestão de Políticas Públicas de Proteção e Bem-Estar Animal (Samuvet e as castrações): R$ 81.173,04
  9. Ações de Manejo e Manutenção Vegetal: R$ 35.265,61
  10. Manutenção do Galpão de Reciclagem de Lixo: R$ 1.369,10
  11. Construção, Ampliação e Reforma do Galpão de Reciclagem de Lixo: R$ 6.819,00. 
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  13. Fonte: http://www.oreporter.net/comdema-quer-saber-onde-foi-parar-o-dinheiro-do-meio-ambiente/

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