Procuradoria do Paraná divulga balanço da operação Lava Jato em 2016
Para o MPF, as alterações no projeto das medidas anticorrupção feitas foram “claramente retaliatórias"
O ano de 2016 foi o mais produtivo da Lava Jato, operação que apura o
esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras e outros órgãos da
administração federal. A avaliação é do Ministério Público Federal do
Paraná (MPF-PR), responsável pela condução da força tarefa desde 2014.
Em
balanço divulgado na quinta-feira, a procuradoria paranaense relata que
em 2016 foram deflagradas 17 operações e oferecidas 20 denúncias contra
acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de
dinheiros e organização criminosa. O número supera as ações realizadas
nos dois anos anteriores.
Em
2016, também ocorreu a terceira restituição de recursos aos cofres da
Petrobras, por meio de acordos de delação premiada e de leniência. Em
novembro, a empresa recebeu de volta mais de R$ 204 milhões, o maior
valor já devolvido pela justiça criminal brasileira a uma vítima. Desde o
início da operação, aproximadamente R$ 500 milhões foram devolvidos à
Petrobras.
Segundo a nota, de 2014 até o momento foram
cumpridos 103 mandados de prisão temporária, 79 de prisões preventivas,
730 de busca e apreensão, 197 de condução coercitiva e seis prisões em
flagrante. A prisão do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, em novembro,
foi uma das ações desenvolvidas este ano pelo MPF-PR em parceria com a
procuradoria fluminense.
A investigação da procuradoria
paranaense aponta que o valor das propinas pagas no esquema superam R$
6,4 bilhões e o total de prejuízos pode ultrapassar R$ 40 bilhões. A
revelação dos crimes já resultou em 120 condenações e mais de 1.200 anos
de pena.
Medidas anticorrupção
O
balanço do MPF-PR também faz menção ao projeto de iniciativa popular
conhecido como pacote anticorrupção, que, segundo a nota, foi
desfigurado pela Câmara dos Deputados para inibir a atuação dos
procuradores. Para a procuradoria, as alterações feitas foram
“claramente retaliatórias”.
O Ministério Público Federal do
Paraná também critica a lei de abuso de autoridade e outras iniciativas
apresentadas no Congresso, como as propostas de alteração na Lei de
Repatriação de Recursos e na lei que trata dos acordos de leniência. As
mudanças propostas pelos parlamentares teriam o intuito de abrir a
possibilidade de impunidade e anistia para crimes graves de corrupção e
lavagem de dinheiro.
Os procuradores responsáveis pela
força-tarefa afirmam ainda que é a sociedade que protegerá a Operação
Lava Jato das investidas do Legislativo e alertam para o impacto
econômico da corrupção. “Apenas a sociedade poderá levar o país na
direção certa, com reformas políticas e do sistema de justiça que
previnam novos escândalos de corrupção e nos coloquem nos trilhos do
desenvolvimento econômico e social”, diz Deltan Dallagnol, coordenador
da força-tarefa.
“Estudos mundiais revelam que, se queremos
uma economia forte, precisamos passar pela diminuição dos índices de
corrupção. Dizer que o combate à corrupção prejudica a economia não só
ignora as reais causas da crise como também que o caminho para o
desenvolvimento econômico e social passa pelo enfrentamento desse mal",
disse o procurador Orlando Martello.
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